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O vídeo de um parto na última quinta-feira (20) no hospital Maternidade do Povo, na cidade de Belém, capital do Pará, viralizou nas redes sociais. O que era para ser um momento especial da vida do casal, virou um caso de constrangimento, devido ao comportamento do obstetra Allan Henrique Fernandes Rendeiro, 65 anos. Enquanto manuseava a criança, o médico realizou e divulgou uma gravação em que aparece questionando o voto dos pais do recém-nascido e ameaçando interromper o procedimento. Eleitor de Bolsonaro, ele não gostou de saber que o marido da parturiente votaria em Lula.

Eu sou Gael, já nasci 22 e vou votar no Bolsonaro… Eu vou começar a reclamar aqui no hospital… para diferenciar o negócio do pai, eles botam uma roupa vermelha… O doido não vem dizer que vai votar no Lula… Rapaz, tu quer que eu vá já embora, e nem opere ela?”, falou o obstetra.
Logo em seguida, Allan se vira para a mãe, deitada na mesa de cirurgia, e também pergunta sobre o candidato em que ela vai votar no segundo turno. “Essa aqui é a mamãe do Gael. Dia 30 ela vota? Vinte e dois, diga!”, pergunta.
A mulher, constrangida, não confirma a indicação, e o médico, então, promete enviar o vídeo para o candidato do PL, que estava participando de uma transmissão ao vivo com apoiadores. “Eu vou enviar esse vídeo para o Bolsonaro, que está em uma ‘live’ especial”, disse.
Allan Henrique Fernandes Rendeiro – médico obstetra
Em um perfil nas redes sociais, o obstetra Allan Rendeiro se descreve como “comprometido com Deus, família e boas práticas”. Ele não foi encontrado para se manifestar sobre o caso.
O que diz o hospital 
A Maternidade do Povo é um hospital particular na capital paraense, no entanto, devido à um convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS), realiza procedimentos gratuitos na cidade.
A assessoria da unidade negou que Allan Rendeiro faça parte do quadro de profissionais. De acordo com a instituição, o obstetra, assim como outros médicos, “apenas exercem o direito de praticar a atividade em qualquer nosocômio (hospital) que seja escolhido por seus pacientes, como preconiza e assegura o Conselho Federal de Medicina”, informou.
O hospital esclareceu que não houve reclamação, ou denúncia, de pacientes sobre o fato, e que não pratica campanha eleitoral, nem permite que os colaboradores o façam, dentro do estabelecimento.
Ações no CRM e na Justiça
A vereadora Lívia Duarte (Psol) entrou com uma representação no Conselho Regional de Medicina do Pará pedindo uma investigação sobre o caso. Segundo a parlamentar, o comportamento do obstetra incorre na prática de tentativa de coagir alguém a determinado posicionamento político, o que seria classificado como assédio eleitoral ou político, tipificado como crime pelos artigos 299 e 301 do Código Eleitoral Brasileiro.
“Apesar de banalizados, casos de abuso, assédio ou má conduta dentro da área da saúde, envolvendo profissionais ou pacientes, não deveriam ser minimizados”, diz a petição.
Por meio de nota, o Conselho Regional de Medicina do Pará (Cremepa) informou que “efetivará todas as medidas legais previstas na Lei nº 3.268/57 e resoluções do Conselho Federal de Medicina, a fim de apurar o fato”. O órgão acrescentou que os procedimentos tramitam sob sigilo, conforme artigo 1º do Código de Processo Ético-Profissional (Cpep).
Do IGNotícias/com informações de O DIA 
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