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Uma criança de três anos foi confirmada com poliomielite no Pará, informou o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) da Secretaria de Saúde do estado, nesta quinta-feira (6). A criança começou a apresentar paralisia e testou positivo para o poliovírus (SABIN LIKE 3), através da metodologia de isolamento viral em fezes.

Apesar do resultado, o documento afirma que “outras hipóteses diagnósticas não foram descartadas, como Síndrome de Guillain Barré, portanto o caso segue em investigação conforme o que é preconizado no Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde”.

A criança mora no município de Santo Antônio do Tauá. Os primeiros sintomas, incluindo febre, dores musculares, mialgia e paralisia flácida aguda (PFA) surgiram no dia 21 de agosto. Algumas semanas depois, o menino perdeu a força nos membros inferiores, sem conseguir se manter em pé.

A coleta de fezes foi realizada no dia 16 de setembro e encaminhada ao Laboratório de Referência do Instituto Evandro Chagas. O laudo, com o resultado positivo para Sabin Like 3, foi emitido na última terça-feira (4 de outubro).

Depois de 33 anos

É a primeira vez em 33 anos que o poliovírus é identificado no Brasil. A doença está erradicada no Brasil desde 1989. O vírus teria sido detectado em testes feitos com as fezes da criança, que apresentava mialgia, febre, dores musculares e redução motora nas pernas.

A poliomielite – também conhecida como pólio ou paralisia infantil – é uma das doenças mais perigosas do mundo. O vírus é altamente contagioso e pode causar quadros graves, como a paralisia dos membros inferiores, com consequências importantes para o resto da vida, como sequelas esqueléticas e motoras.

A transmissão se dá pelo contato direto com secreções eliminadas pela boca ou pelas fezes do indivíduo infectado. O poliovírus se aloja no intestino e na garganta do paciente, onde se multiplica até entrar na corrente sanguínea — uma vez circulando no corpo, sem tratamento, pode atingir o cérebro.

Em casos mais severos, o vírus pode atingir os neurônios motores e causar a paralisia, ou desencadear um quadro de meningite, condição que pode levar à perda de audição e visão, epilepsia e paralisia.

Outro desdobramento perigoso é quando o poliovírus chega ao local que controla os músculos responsáveis pela respiração e deglutição — nesses casos, o paciente pode precisar de ventilação mecânica e nutrição enteral.

VACINA CONTRA PÓLIO

Os indicadores de imunização infantil no Brasil contra a poliomielite estão em queda desde 2015. No ano passado, a campanha ficou longe de bater a meta estipulada pelo governo, com cobertura de apenas 67,1% do público-alvo, de acordo com a Fiocruz.

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Multivacinação de 2022 terminou em 30 de setembro, última sexta-feira. Segundo o Ministério da Saúde, 54,21% das crianças entre um e menores de cinco anos haviam sido imunizadas contra a poliomielite.

A vacina é eficaz contra os vírus dos tipos 1, 2 e 3 da poliomielite. Desde 2016 as crianças recebem três doses da vacina VIP (vacina inativada poliomielite) no primeiro ano de vida. Nos reforços anuais e na campanha, é aplicada a VOP (vacina oral poliomielite).

Entre os anos 1960 e 1980, o país registrou um surto da doença, pela facilidade da contaminação, contabilizou mais de 26 mil casos do vírus entre 1968 e 1989, antes da erradicação.

Esforços coletivos, como campanhas de conscientização e vacinação e medidas de vigilância mantiveram o poliovírus fora do Brasil nas últimas três décadas, fazendo com que a pólio fosse considerada erradicada no Brasil. Em 1994, o vírus selvagem da poliomielite foi declarado erradicado nas Américas pela Organização Pan-americana de Saúde (Opas).

 

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