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Viaturas da Divisão de Repressão a Narcóticos – DENARC – foram usadas por agentes exterminadores para cometer execuções de ex-detentos. É o que aponta a investigação conduzida pela PF no bojo da Operação Caninana, desencadeada para apurar a existência de um grupo de extermínio dentro da Polícia Civil do Tocantins.

Segundo as investigações, os policiais tinham um grupo de WhatsApp em que programavam o articulavam a morte de pessoas. Os alvos eram ex-presidiários e investigados por tráfico de drogas.

A investigação apontou que o grupo foi responsável por cerca de 20 de assassinatos praticados entre 2019 e 2020 no estado do Tocantins. A PF concluiu que a Denarc estava usando o aparato estatal para grampos ilegais, plantar drogas falsas, servir o governo e fazer limpeza social com um “código penal próprio”.

A força-tarefa teve início na manhã de quarta-feira (22) com o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados agentes e delegados da PCTO.

A sede da Denarc em Palmas também foi um dos alvos da operação que prendeu e afastou das funções cinco policiais.

Conforme as investigações, pelo menos quatro veículos foram identificados por câmeras de segurança e radares de trânsito momentos depois dos assassinatos.  após deixarem cenas de assassinatos.

Troca de placas

Os investigadores da Polícia Federal verificaram que o grupo trocava as placas dos veículos constantemente para tentar evitar a identificação. Uma das placas usada durante um duplo homicídio em março de 2020, chegou a ser encontrada posteriormente em uma viatura oficial da Denarc.

Um dos veículos identificado próximo às cenas de crimes chegou a ser encontrado no pátio da Denarc durante outra operação da Polícia Federal. Após a identificação dos carros, os investigadores conseguiram chegar até os suspeitos analisando os registros de abastecimento e de saída dos veículos.

Os cinco policiais que tiveram as prisões decretadas deverão ser transferidos para a Unidade Prisional de Segurança Máxima de Cariri do Tocantins, no sul do estado, e sejam colocados em celas separadas e individuais.

O que diz a defesa dos investigados e a Polícia Civil

O advogado que representa os investigados, Antônio Ianowich, afirmou que todos os agentes investigados estão se apresentando espontaneamente para dar cumprimento aos mandados de prisão.

“Nós não vamos comentar ainda o teor das acusações, primeiro porque não tivemos acesso aos altos. Vamos primeiro analisar do que eles estão sendo acusados, mas deixando claro que nenhum deles está se negando ou fugindo da atuação da Justiça. Todos cumprirão as decisões judiciais. Após termos acesso aos autos, respeitando o sigilo, a defesa vai se manifestar sobre o assunto”, afirmou o advogado.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou, em nota, que a Corregedoria-geral da Polícia Civil está acompanhando a operação e deve se manifestar em tempo oportuno.

Início das investigações

Os indícios da existência de um grupo de extermínio na Polícia Civil do Tocantins começaram a ser investigados pela Polícia Federal durante as operações que levaram à renúncia do ex-governador Mauro Carlesse.

Na época, os investigadores descobriram que membros da Polícia Civil e da cúpula da SSP criaram um grupo de espionagem para monitorar investigações e cumprir ordens do ex-governador. Depois as investigações sobre as mortes foram desmembradas e deram origem à essa nova operação.

Colaboração: G1/TO

 

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