Quarta, 17 de julho de 2019
63984631128
Ronda TO

18/06/2019 ás 00h14 - atualizada em 23/06/2019 ás 23h43

PortalMV

Porto Nacional / TO

Deputado Antonio Andrade e seu filho são acusados de desviar mais de um 1 milhão dos cofres públicos.
Os recursos foram auferidos através do famoso esquema de funcionários fantasmas que recebiam sem trabalhar e devolviam aos dois políticos.
Deputado Antonio Andrade e seu filho são acusados de desviar mais de um 1 milhão dos cofres públicos.
Deputado e seu filho vereador são acusados de desvio de verbas por meio de funcionários fantasmas.

Cerca de 1 milhão e 100 mil reais em meio ao cometimento do crimes de peculato, associação criminosa e continuidade delitiva são mensurados como recursos públicos desviados dos cofres da Assembleia Legislativa do Tocantins, no período de 2015 a 2019, pelo deputado estadual Antonio Andrade (PHS), atual presidente da casa e seu filho Tony Andrade, que é vereador em Porto Nacional, mediante o famoso esquema de assessores e servidores fantasmas.


É o que a ponta o relatório de uma fase da Operação Catarse, desencadeada pela Polícia Civil, no final de 2018 e com desdobramento no parlamento estadual em janeiro de 2019. As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Repressão a Crimes de Maior Potencial contra a Administração Pública (DRACMA) de Palmas.


Além de Toinho e Tony, também foram indiciados seis assessores que aceitaram o modus operandi denominado de ‘RACHADINHA” em que recebiam sem trabalhar e devolviam até 80% para o filho do atual presidente do legisaltivo estadual.


O começo


Conforme consta no relatório conclusivo apresentado pela DRACMA, as averiguações foram iniciadas a partir do recebimento de denúncias por parte do Ministério Público aventando a existência de funcionários fantasmas na Assembleia.


No andamento das investigações deste braço da operação, ficou evidenciado que os alvos eram lotados no gabinete do parlamentar portuense e recebiam da assembleia mesmo tendo outras ocupações.


Na efetivação das buscas nas residências dos suspeitos, a PC encontrou indícios apontando que parte dos proventos recebidos por eles era devolvida para Tony Andrade e outras pessoas ligadas ao Gabinete de Antonio Andrade.


Sigilo Bancário


As suspeitas foram confirmadas após quebra de sigilo bancário dos investigados. Documentos apreendidos pelos investigadores apontaram que os “fantasmas” depositaram cerca de meio milhão na conta do vereador filho do deputado. Também foi constatado que havia devoluções em espécie.


Interrogatórios


Pai e filho foram inquiridos nos dias 13 e 14 de junho (quinta e sexta). O vereador não falou nada. Já o deputado tentou explicar as indagações feitas com base nas declarações das testemunhas.


CONFIRA


JALES MACEDO FERNANDES: Segundo a polícia, ele confessou que jamais exerceu, de fato, a função de assessor parlamentar, bem como declarou ter sido nomeado como promessa de campanha do deputado estadual Antônio Andrade, conhecido como Toinho Andrade, pois teria ajudado o parlamentar nas eleições de 2014.


O investigado também declarou que, dois ou três meses após ter sido nomeado – ainda no ano de 2015 –, recebeu uma ligação do deputado para que repassasse parte de seu salário para duas pessoas que vivem em Porto Nacional e que passou a fazer os repasses desde aquela época.


Jales Macedo, que é caminhoneiro, e Antônio Andrade (PHS) são amigos desde crianças. Ao todo o caminhoneiro, teria recebido entre 2015 e 2019, o total de R$ 93,850.


RESPOSTA DE TOINHO: O deputado disse que o homem prestava serviços de motorista no escritório de Porto Nacional quando era requisitado. Afirmou desconhecer que ele tinha outro emprego e que não solicitou que entregasse parte do salário para outras pessoas.


ADRIANA ALVES PARANHOS: Confessou que não trabalha efetivamente na Assembleia Legislativa do Tocantins, mas sim como professora da rede municipal de ensino de Porto Nacional. Ela firmou que aceitou ser nomeada para o cargo mediante acordo com Tony Andrade, comprometendo-se a devolver parte dos proventos auferidos.


Ainda segundo a Polícia Civil, ela declarou receber a quantia de R$ 2.740,00 desde o primeiro semestre de 2018, repassando a quantia de R$ 2.200,00, em espécie, para Tony Andrade, filho do deputado estadual Antônio Andrade.


Durante o contrato, entre 2015 2019, ela teria recebido R$ 112.075.


RESPOSTA DE TOINHO: O deputado disse, em depoimento, que não conhece a mulher. Ao ser questionado sobre a nomeação, se reservou ao direito de permanecer em silêncio.


LUDOVIRO ROMA DA SILVA: Também confessou devolver parte do salário de cinco a seis vezes por ano. Supostamente entregava a quantia de R$ 1 mil em espécie para uma secretária do parlamentar Antônio Andrade em Porto Nacional.


Ele declarou que trabalhava como vigilante patrimonial em uma empresa privada e foi nomeado para o cargo de assessor por ter ajudado o deputado estadual na campanha eleitoral de 2014, ocasião em que o parlamentar, após reeleito, teria lhe dito: "você me ajudou, vou te ajudar".


O vigilante teria recebido entre 2015 e 2019 o valor total de R$ 126.931.


RESPOSTA DE TOINHO: O deputado afirmou que Ludoviro trabalhou como voluntário "pedindo voto". Também afirmou que o servidor trabalhou como assessor parlamentar e assinou declaração dizendo que não tinha outro emprego. Por fim negou que o escritório tenha solicitado a devolução de dinheiro.


LEANDRO VINÍCIUS FERREIRA VILARINHO: negou a prática do delito, afirmando que exercia, de forma "externa", a atividade de assessor parlamentar, atuando na região de Novo Acordo. Declarou que suas funções de assessor parlamentar se limitavam a repassar as sugestões e as demandas da população daquela região.


Também declarou que desempenhava cumulativamente emprego junto a uma empresa privada localizada em Novo Acordo. Negou ter devolvido parte de seus salários ao deputado Antônio Andrade ou a pessoa por ele indicada.


Porém, de acordo com a Polícia Civil, isso foi desmentido através da análise de suas movimentações bancárias. Ao todo, ele teria recebido entre 2015 e 2019 o total de R$ 275.213.


RESPOSTA DE TOINHO: Em depoimento, o deputado afirmou que conhece Leandro Vinícius, mas negou que ele tenha sido contratado no gabinete. Também negou que o investigado tenha trabalhado na campanha e conhece apenas "de vista".


FRANKLIN DELANO MATOS MAIA: Confessou ter recebido salários dos cofres públicos sem trabalhar. Ele contou à polícia que é casado com uma prima de Antônio Andrade e foi nomeado mediante acordo com o vereador Tony Andrade para devolver mais de 80% dos proventos.


Declarou também que devolvia a quantia combinada mediante transferência bancária para conta de Tony Andrade. Mas quando os valores ultrapassavam o limite bancário para transferência, sacava e entrega em mãos do filho do deputado.


O assessor teria recebido R$ 322.278 entre os anos de 2015 e 2018. A quebra do sigilo bancário confirmou que ele fez 56 transferências para Tony Andrade, no valor de R$ 155 mil.


RESPOSTA DE TOINHO: Em depoimento, o deputado Antônio Andrade não respondeu sobre o vínculo de parentesco. Sobre as suspeitas de devolver a maior parte do salário, o parlamentar disse não ter conhecimento.


ANTÔNIA ROSAL DE OLIVEIRA: Confessou o duplo vínculo trabalhista, acumulando os cargos públicos de agente comunitário de saúde e assessor parlamentar. Ela negou devolver qualquer quantia ao parlamentar, mas a quebra do siligo bancário mostrou que fez 44 transferências para Tony entre janeiro de 2015 e maio de 2018.


RESPOSTA DE TOINHO: O deputado afirmou, em depoimento, que ela trabalhava nas horas vagas como assessora em Porto Nacional, fazendo cadastro de famílias carentes que eram ajudadas pelo parlamentar. "Eram pessoas que a gente fazia visita e ajudava no fim do mês [...] Ajudada de todas as formas, com remédios, mantimentos"


Antônio Andrade disse desconhecer que ela tinha um outro trabalho e assinou termo dizendo que não tinha outro vinculo empregatício. Também negou que Antônia Rosal tenha devolvido parte do salário. A agente de saúde teria recebido R$ 250.881 entre 2015 e 2018.


Nossa reportagem tentou contato com a defesa dos acusados, mas, não obteve resposta. O espaço está aberto para qualquer esclarecimento.


Ao final, o inquérito deve ser enviado à justiça que aguardará o parecer do Ministério Público Estadual que terá 15 dias para oferecer denúncia ou não.  

FONTE: PortalMV

O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários

2 comentários

veronica santos

  ·  porto nacional TRISTE Em 21/06/2019 ás 11h19

ANA CECÍLIA

  ·  SANTA ROSA DO TOCANTINS CONCLUSÃO, VAI OU NAO VAI DEVOLVER AOS COFRES PÚBLICOS? Em 18/06/2019 ás 07h48
Veja também
Facebook
© Copyright 2019 :: Todos os direitos reservados